Essa sexta à noite, ocorreu um lamentável episódio para a Arte Brasileira... um incêndio destruiu 90% da obra de Hélio Oiticica, um importantíssimo artista plástico brasileiro.
As obras estavam guardadas no primeiro andar da casa do irmão do artista, César Oiticica. Ainda não foi divulgada a causa do incêndio.
É uma pena que tenham ocorrido tantas complicações acerca do local onde as obras de Oiticica deveriam ser guardadas. Eu particularmente, não entendi muito bem todas essas complicações, mas vi no Estadão, que a obra estava guardada na casa da família de César Oiticica, porque a família considerava mais seguro guardar na casa, onde haviam equipamentos para controle de umidade, etc.
A obra de Oiticica foi muito relevante para a projeção, digamos, da arte brasileira, para a Vanguarda. Foi o pioneiro das obras que constituem em instalações, criando quadros "penetráveis", nos quais os anteriormente observadores, se tornariam algo como parte dos quadros, pois entrariam na obra, para inclusive, observá-las por dentro. Ou ainda, vesti-los, como é o caso dos Parangolés.
Eu particularmente, não conheço muito bem a obra de Oiticica. Meu primeiro contato com a obra dele, foi quando passei na Unicamp, e meus veteranos, nos apresentaram o que era o Parangolé, e propuseram que nós, bixos, juntamente com eles, fizemos um Parangolé.
Eu achei muito interessante a idéia de improvisar algo como uma vestimenta ou fantasia, com pedaços de tecido, como fizemos em 2006, lá no gramado do IA... posso dizer que me diverti bastante. Gosto do Parangolé, e inclusive, sempre achei legal a idéia do Alex (um veterano da Arquitetura), de levar o Parangolé para os Encontros de Estudantes de Arquitetura. Mas aí já são experiências próprias, acho que diferente talvez, do que eu proponho nesse blog, então fica pra relatos pessoais...
Voltando ao tema desse blog, eu sempre achei um problema essa falta de atenção dos brasileiros e do Governo, e instituições, para com a arte. Com certeza, não é somente eu que tenho essa opinião, mas aproveito aqui pra reforçá-la, de que eu acho que a Arte de qualquer país ou nação, faz parte da cultura, da identidade de um povo, e isso deve ser acima de tudo, respeitado, fomentado e preservado. Deveria existir mais incentivo e mais investimento para os artistas e no trabalho deles, para produzir aquilo que futuramente vai identificar a marca do povo brasileiro, desse momento, assim como as obras de Tarsila, Portinari, Di Cavalcanti, Anita Malfatti, representaram o contexto do momento da Semana de 22, e do pais.
Fora isso, temos ainda que ressaltar que é necessário que essas obras do passado sejam preservadas, adequadamente. Ou seja, devem ser guardadas com o máximo de cuidado, em museus, galerias, etc, que tenham uma estrutura adequada, ou mais ainda que somente adequada, que seja específica. Controle de umidade, de temperatura, tudo isso e ainda mais... além desses equipamentos de controle, acho que a partir de agora, Museus, Galerias e o que mais for, devem pensar num tipo de estrutura, num tipo de construção que evite e previna incêndios, talvez usando materiais diferentes, talvez imagino eu, usando algum princípio semelhante ao de garrafas térmicas, em que uma camada de ar, de vácuo separa a parede interna - de vidro - da parede externa, normalmente de plástico, evitando que o calor da bebida se disperse e concentrando-o dentro... claro que esse sistema deveria funcionar de uma forma inversa, para os museus... manter o calor para fora, e de alguma forma que isso possa evitar incêndios, mantendo as obras em câmaras com dupla parede, desse tipo, e prefencialmente, que não haja materiais que possam iniciar um incêndio ou "mantê-lo".
Não sei ao certo... ainda é uma idéia que precisaria ser avaliada, e desenvolvida com arquitetos e museus, artistas plásticos e curadores, etc.
domingo, 18 de outubro de 2009
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